Na Quinta dos Loridos, no Carvalhal, perto do Bombarral encontra-se o Buddha Eden - Jardim da Paz com variadas esculturas em pedra, distribuídas pelos seus muitos recantos.
O espaço foi idealizado e concebido pelo Comendador José Berardo em resposta à destruição das gigantescas estátuas do Buda, na província de Bamyan, no Afeganistão.
O lugar é imponente, pois encontra-se pontuado por esculturas claras, muitas delas de grande dimensão, que contrastam com as cores do arvoredo envolvente. Às estátuas do Buda, de Leões, de Cavalos, de Dragões, de Aves, de pagodes gigantes e de lanternas de pedra, junta-se uma réplica, em tamanho natural, de guerreiros e de cavalos do exército, em terracota, do Imperador Qin Shi Huang Di (primeiro imperador da China).
O Buddha Eden - Jardim da Paz foi concebido com um sentido de paisagem, de harmonia natural, de composição geométrica e de arte. Assim, surgiu um magnífico espaço, emulando um gigantesco jardim oriental onde não falta um quiosque chinês ligado à margem de um grande lago por uma pequena ponte.
Quem tenciona visitar o jardim deve mentalizar-se que ali poderá percorrer muitos quilómetros a pé. Para quem tem problemas de locomoção, há comboios turísticos que passam pelos principais pontos atrativos do jardim.
Armando Sales Macatrão
18 Setembro 2011
Caio Plínio Segundo, conhecido como Plínio o Velho (para diferenciá-lo de um sobrinho seu com o mesmo nome, chamado de o Moço) é o autor de um vasto compêndio de ciências antigas intitulado Naturalis Historia (37 volumes).
Plínio o Velho faleceu aquando a erupção do Vesúvio, em 79 d.C., por pretender observar o fenómeno vulcânico de perto.
Nos seus escritos, Plínio referiu a existência, na Lusitânia, de uma cidade designada por Eburobrittium, entre Collipo (perto de Leiria) e Olissipo (Lisboa), mas não fez referência à sua localização exata.
Bernardo de Brito, frade dos monges de Cister e autor da Monarquia Lusitana, situou a antiga cidade romana em Alfeizerão; o arqueólogo Eduíno Borges de Garcia situou-a em Amoreira de Óbidos. Outros autores apontaram a sua localização para outros locais.
Em 1994, durante os trabalhos de construção da autoestrada designada por A8, foram postos a descoberto vestígios arqueológicos que levaram a trabalhos de escavação local. Tinha, assim, sido descoberta, por acaso, uma cidade romana a que alguns autores não tiveram dúvidas em afirmar que era a velha cidade de Eburobrittium e que se terá desenvolvido entre o final do século I a.C. e a segunda metade do século V d.C.
Segundo outros autores, os elementos até agora encontrados no local não são suficientes para comprovar que aquelas ruínas pertencem à cidade mencionada.
Os trabalhos de escavação tiveram a orientação do arqueólogo Beleza Moreira. Por uma vasta área, foram identificados o Fórum, as Termas entre outras estruturas romanas e medievais.
A descoberta desta antiga cidade romana (Eburobrittium ou não) veio contribuir para valorizar de forma surpreendente o património arqueológico do Concelho de Óbidos. Teremos de esperar até que, um dia, a A8 seja desviada para outro local de modo a permitir que possamos usufruir de todo aquele precioso património arqueológico ali existente há mais de dois mil anos.
A.S.M.
A estrada que serpenteia por entre do Monte de São Brás e o Monte do Meio, ligando a Pederneira com o Valados dos Frades , no Concelho da Nazaré, é conhecida por Ladeira da Enfesta. Ali, no dia 24 de Setembro de 1867, pelas dez da manhã, um bando de indivíduos mandou parar a carruagem (coche) onde seguia o Barão de Porto de Mós (Dr. Venâncio Pinto do Rego Ceia Trigueiros), assassinando-o de seguida com três disparos de armas de fogo.
Os relatos desse crime bem como o paradeiro dos criminosos e a respectiva captura dos mesmos aparecem em jornais da época.
O Barão de Porto de Mós saiu da sua Quinta da Cortiça (Ribeira da Azóia, perto de Leiria) no dia 1 de Setembro, chegando à Nazaré no dia seguinte. Segundo o escritor Ricardo Charters D’Azevedo, que publicou o livro intitulado A morte do Barão de Porto de Mós, o homem fora alvo de duas tentativas de assassinato na sua propriedade em Leiria e de outra no dia em que chegou à Nazaré. Nesta última tentativa falhada valeu ao barão ter chegado à zona da Nazaré antes dos assassinos o terem feito.
O Barão de Porto de Mós permaneceu a banhos na Nazaré até ao fatídico dia 24 de Setembro, altura em que se dirigia para a sua casa na Quinta da Cortiça.
Segundo o relato do cirurgião-médico, clínico de Alpiarça que se encontrava a banhos na Nazaré, e que foi publicado na edição de 28 de Setembro de 1867 do jornal O Leiriense na carruagem notava-se exteriormente e do lado esquerdo, rasgada a cortina de coiro, quebrado o vidro da lanterna, e chamuscado o sustentaculo d’ella. Um pouco acima do postigo esquerdo notava-se um buraco redondo, por elle saía uma pequena porção d’estopa. No angulo posterior esquerdo via-se outro buraco, com a madeira lascada, atravessada n’este orificio estava uma bala de bronze. A estes orificios correspondiam outros no lado interno do vehiculo. No interior d’elle via-se o cadaver do ex.mo barão, inclinado do lado esquerdo sobre o direito, posição que tomou logo que do lado direito lhe tiraram uma creada que o acompanhava, e sobre o corpo da qual o cadaver tinha ficado apoiado…
O Barão de Porto de Mós é conhecido na Nazaré por Barão da Cortiçada. Foi homenageado com o nome de uma rua na Pederneira (Rua Barão da Cortiçada), encontrando-se o seu túmulo com brasão no cemitério da mesma localidade.
A sua enorme fortuna rondava, na época, os 400 contos de réis. Possuía terras em Leiria, Pombal e Alentejo. Após uma tentativa de ataque à Quinta da Cortiça (meses antes do seu assassinato) fizera como seu único herdeiro o seu amigo Francisco Tavares d’Almeida Proença, tendo sido esse testamento lavrado em segredo.
O barão tinha um cunhado que se chamava Felisberto Pinto do Rego. Esse indivíduo vivia em sua casa na Quinta da Cortiça e, segundo escreveu o autor Ricardo Charters d’Azevedo, começou a nutrir desejos de fazer assassinar o dito barão, com o fim de se apoderar de seus bens, evitando que ele fizesse testamento, ou assessorando-se deste se já existisse.
Quem tudo quer, tudo perde é um velho ditado que se pode aplicar ao caso do assassinato do barão. A ganância cega do Felisberto Pinto Rego levou-o a engendrar planos de cobiça tal que acabaram por destruir todas as suas ambições; o tribunal condenou-o ao degredo, isto é, a trabalhos públicos perpétuos numa das colónias Portuguesas da África Ocidental. Aos que com ele colaboraram também conheceram a dureza dos anos passados em prisão, à excepção de um indivíduo chamado José Carvalho: o que baleou o barão com uma bala de bronze; desse indivíduo ninguém mais soube do seu paradeiro.
Armando Sales Macatrão
Nazaré, 6 Março 2011
Na Nazaré, à maior onda que o mar produz na sua baía tem o nome de 'Mar à Pinoca' (pi-nó-ca).
Nessa vila utilizam-se diariamente muitas expressões onde entra a palavra 'mar'. Uma dessas expressões é 'Mar à Pinoca'. Por exemplo, pode dizer-se 'Veio um Mar à Pinoca e partiu tudo!' ou 'Tá um mar à Pinoca' (quando o mar está muito bravo).
O António Gabriel Vigia, nascido na Nazaré a 11 de Fevereiro de 1886 e conhecido por Pinoca, certa vez, enquanto pescava no mar, apanhou tremenda tempestade que o fez abandonar a vida de pescador. Tornou-se boieiro e passou a dizer o seguinte: S’o mar até aqui na me matô, já na me mata (se o mar até aqui não me matou, já não me mata). Pois, no dia 5 de Fevereiro de 1951, pelas 12:55, enquanto passava com a sua parelha de bois pela Praça Dr. Manuel de Arriaga, uma gigantesca onda, após galgar o baixo e antigo Paredão, arrastou consigo uma barca que lhe foi esmagar o crânio contra a parede oeste da Farmácia dos Pescadores.
A barca, que vitimou o Pinoca, encontrava-se na Praça Dr. Manuel de Arriaga devido ao mau tempo; chamava-se Nossa Sr.ª de Monserrate e pertencia a João Figueira Facada (João Casalinho).
Foi em 1912 que a referida praça, após a expropriação de vários edifícios que consequentemente levou à sua ampliação, deixou de se chamar Largo da Infância e passou a denominar-se Praça Dr. Manuel de Arriaga. Mais tarde esta praça também ficou conhecida por praça do peixe, em virtude de ali ter funcionado o mercado do peixe. As frutas e os legumes eram comprados na Praça Sousa Oliveira.
No dia 9 de Novembro de 2010, o mar da Nazaré esteve no auge da sua fúria com ondas próximo de nove metros de altura. A possibilidade de chegar até à avenida da marginal era tida como forte pela população local. Em alturas como essas, os donos das lojas sabem que têm de precaver-se contra uma possível investida do mar. Normalmente, colocam tábuas grossas, dispostas na horizontal e umas sobre as outras em frente de portas e de montras.
Um lojista chinês, que tem a sua loja na marginal da Praia da Nazaré, apesar de ter sido avisado para proteger o estabelecimento, não deu ouvidos a quem o avisou. A determinada altura, já com a maré a vazar, formou-se uma enorme onda na baía que até ofuscou a linha do horizonte para, seguidamente, varrer a praia com uma força invulgar.
Em terra, esse 'Mar à Pinoca' fez vários estragos em alguns estabelecimentos, inundou caves e arrastou automóveis. O local onde a onda fez mais estragos foi precisamente na área do lojista chinês (n.º 40 da Avenida da República). Ali, a onda partiu a montra do estabelecimento, inundou o espaço, provocando um caos no seu interior. 'Boa Sorte' é o nome da referida loja, mas naquele dia o mar prendou o empresário chinês com muitos estragos.
Armando Hilário, proprietário do Sr. Crepe, na Praia da Nazaré, ligou o acontecimento histórico inerente na expressão 'Mar à Pinoca' com o que aconteceu na loja do empresário chinês e criou uma nova expressão que já está a ser usada pelos locais; segundo ele, a onda que fez estragos na loja do chinês não foi um 'Mar à Pinoca', mas sim um 'Mar à chinoca'.
Um 'Mar à chinoca' é, então, uma onda que faz estragos no interior das lojas que estão próximo da praia.
A Nazaré é a terra portuguesa detentora do maior número de expressões idiomáticas. A nova expressão 'Mar à chinoca' vem juntar-se às mais de 438 expressões registadas no livro 'Expressões da Nazaréth', do autor Armando Sales Macatrão.
(Direitos reservados, Armando Macatrão, 2010)
A localização da Quinta de São Gião, lugar onde se encontra o Templo (Igreja) com o mesmo nome, escapa normalmente ao trajecto das pessoas que visitam Nazaré, visto que são poucas as referências existentes que apontam para aquele lugar. No entanto, também, se as houvesse não teriam grande utilidade, uma vez que o dito e precioso monumento foi ‘encaixotado’ treze séculos depois de ter sido construídopelos Visigodos que habitaram aquela região.O templo foi classificado Monumento Nacional por Decreto do Governo 1/86, de 3 de Janeiro e vários foram os objectos que têm sido encontrados nas escavações efectuadas no lugar: uma estátua de São Sebastião, uma Ara Romana anepígrafa (pedra de altar), um túmulo monolítico, um cipo funerário romano, uma lucerna Moçárabe, moedas desde o reinado de D. Sancho I (1201) entre outros objectos.
Algumas das referências antigas a respeito do templo são fornecidas por Frei Bernardo de Brito na sua publicação intitulada Monarchia Lusytana datada de 1597. Nessa obra o autor relata que o Reverendo Frey Frãcisco de Sancta Clara, Dom Abade Geral da Ordem (de Cister), o encarregou de averiguar as antiguidades do local. Outros frades, anteriormente a Bernardo de Brito, escreveram sobre o templo, dizendo que ficou despovoado de monges devido a uma peste.
Em 1961 o Dr. Eduíno Borges Garcia suspeitou que São Gião era um templo Visigótico, mas não teve apoio para prosseguir a uma investigação detalhada. Posteriormente, e ao longo de alguns anos, o mesmo investigador reuniu provas suficientes para comprovar a suspeita, identificando o templo como monumento visigótico.
O que faz da Igreja de São Gião uma raridade arquitectónica na Península Ibérica é o facto de possuir um anteparo de três aberturas localizado entre a nave e o cruzeiro que servia para separar os acessos às práticas religiosas entre monges e leigos.Se pudéssemos visitá-lo iríamos gostar de observar muitos dos elementos decorativos no seu interior: palmetas, rosetas quadrifoliadas, quadrifólios formados por losangos arqueados, Pentafólios inscritos em círculos, Cruzes com braços triangulares e iguais, fiadas de duplos losangos arqueados e inscritos em círculos e faixas rectangulares em espinha de peixe.
Muito há a fazer pela Quinta de São Gião; é mais um lugar que trará muito turismo à Nazaré. Para tal é necessário restaurar o pequeno templo cristão-visigodo dedicado a São Gião e que ali existe desde 656-665 d. C.; é preciso melhorar o acesso da Ponte da Barca até lá (mas sem asfalto) e é fundamental que haja um ambiente natural ao longo de todo esse percurso. Aliás, é um espaço ideal para se construir um jardim botânico com espécies de árvores e plantas costeiras de todo o mundo. Seria um legado sui géneris de valor incalculável que a Nazaré deixaria para as gerações que irão herdar o nosso mundo. Para haver turismo basta preservarmos e melhorarmos o que temos de diferente dos outros lugares __ nem sempre é necessário haver mais um campo de golfe ou construir mais uma contra-natura-selva-de-betão.
Armando Sales Macatrão
4 Novembro 2010


Saindo do Valados dos Frades, em direcção a Alcobaça, antes de chegarmos à fábrica de loiça designada por SPAL, encontramos, na borda esquerda da estrada, uma placa onde está inscrito um nome __ Pequena Terra. Ao seguirmos o caminho que leva até esse lugar especial, passamos, primeiramente, por extensas hortas planas, que de certo modo, dão o mote visual daquilo com que nos vamos deparar: um espaço eco-pedagógico funcionando em harmonia com a natureza.
A Pequena Terra, localizada na Quinta da Lezíria, é de facto um espaço de diversão e de aprendizagem, promovendo, com especial atenção, a educação ambiental de forma pedagógica. As crianças adoram os seus programas diários: Jogos Ecológicos, Energias Alternativas, Nós e os Animais, Arte na Natureza, Aromas e sabores da Natureza, Agricultura Biológica, Os Incríveis Monges Agrónomos no Mosteiro de Alcobaça e Teatro de Fantoches Ecológicos da Pequena Terra.
A Pequena Terra ainda oferece a possibilidade de Refeições Biológicas, Férias na Quinta e a realização de eventos vários, mediante a marcação com a antecedência mínima de uma semana e para grupos com o mínimo de 10 pessoas. Se por ventura deseje apenas passar por lá depois do almoço e tomar um café ao ar livre, não deixe depois de ir observar as diferentes espécies de aves ornamentais e outros animais como cabras, ovelhas, burros, porcos pretos, nandus, gamos, além de diferentes raças de bovinos que a quinta possui no interior dos seus seis hectares de terra.
Espaços comos estes, com as diversas actividades eco-pedagógicas e de lazer são bem-vindos nos dias de hoje, uma vez que, até há pouco, o Homem não tinha olhado para o Planeta Terra como um todo, como uma complexa máquina biologicamente equilibrada e viva, e onde a centelha da vida (em qualquer vida) é, de facto, um verdadeiro milagre da Existência. É necessário ensinar os mais novos a respeitar e a preservar a Terra e a sua natureza em toda a sua extensão para que, no futuro, venham a corrigir o rumo daquilo a que erradamente alguns persistem em apelidar de ‘progresso’ ,ou seja, ao que não toma em linha de conta a importância vital da paisagem, da biodiversidade, das florestas, das praias, das planícies, dos solos, da água e do ar. A Pequena Terra faz passar, especialmente, para os mais pequenos, essa importante mensagem proporcionando-lhes, ao mesmo tempo um dia de aprendizagem e de muito divertimento.
Direitos Reservados, Armando Sales Macatrão, 29 Março, 2010
Outubro a Março Abril a Setembro
2ª a 6ª : 10h00 - 17h00
Sáb/Dom/Feriados : 14h30 - 17h00 Sáb/Dom/Feriados: 14h30 - 19h00
Há quatrocentos anos atrás, portanto, alguns séculos antes de vir a existir o Ascensor da Nazaré, os visitantes abastados que visitavam o Sítio podiam, descer até à praia através de uma ladeira de areia que se estendia no sentido Este-Oeste ao longo de uma parte do promontório. Naquele tempo a descida, pela dita ladeira, faziam-na as pessoas sentadas numa manta (alcatifa) que os seus criados arrastavam pelas pontas. Sem dúvida que esse método de descer do sítio até à praia deveria ser verdadeiramente empolgante. Mas, como só transportava as pessoas do Sítio para a Praia e nunca em sentido inverso, houve necessidade de resolver esse caso. Levou alguns séculos, mas resolveu-se quando alguém teve a ideia de construir o Ascensor.
Serra dos Candeeiros Freguesia de Vidais Leiria
A construção de naus, na praia da Nazaré, cessou por volta de 1800. O edifício que guardava os utensílios e ferramentas destinadas à construção das referidas embarcações passou a servir de depósito de madeiras vindas do Pinhal de Leiria. Esse edifício encontrava-se no areal da Praia, no interior de um grande quintal cercado por muros de pedra. O depósito de madeiras passou, depois, para o Rossio da vila que passou a ser conhecido de Largo da Madeira. As Madeiras que continuaram a vir do Pinhal de Leiria eram ali armazenadas, transformadas e, só depois, seguiam para Lisboa. Assim foi até 1820, altura em que as madeiras do Pinhal de Leiria, passaram a ir directamente para São Martinho do Porto.
O Largo da Madeira, mais tarde, ficou conhecido pelo nome de Praça do Comércio; era ali que se realizava o mercado de fruta, legumes, etc. Aquele espaço foi, posteriormente, mandado empedrar por um presidente de Alcobaça que se chamava Souza Oliveira (o concelho da Nazaré era, nessa altura, gerido pela Câmara de Alcobaça).
Em reconhecimento pelo feito, uns indivíduos da Nazaré fizeram um abaixo-assinado e entregaram-no na Câmara de Alcobaça para que a Praça do Comércio passasse a ter o nome de Praça Souza Oliveira.
Vários foram, portanto, os nomes que aquele local já conheceu. É caso para dizer-se: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Ao olharmos para fotografias, pinturas e postais antigos da Praça ficamos a saber que alguns dos seus prédios mais antigos deram lugar a edifícios que não se enquadram no seu conjunto arquitectónico, desrespeitando, por assim dizer, o Centro Histórico em que a Praça está inserida. Ficamos a saber, também, que a abóbada alta de um poço (o Poço Público da Praia) e o seu bonito Coreto de madeira foram erradicados dos lugares onde se encontravam; foram dois elementos de arquitectura local que se perderam e que tanta falta fazem para ocupar aquele turista que gosta de visitar, fotografar e estudar o passado dos locais com interesse histórico.
É costume dizer-se que a Praça Sousa Oliveira, ou Esplanada (é assim que os nazarenos, actualmente, gostam de apelidá-la)é a sala de visitas da Nazaré. Que se mantenha assim: inalterável __ no que resta das fachadas de alguns prédios antigos, no que resta da belíssima vista que tem do Sítio e no que resta da paisagem que tem do céu e do mar.
(Direitos reservados - Armando Macatrão).
No pinhal pertencente à Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, mais precisamente entre o Sítio da Nazaré e o Vale Fundo, existe um pequeno vale conhecido pelo nome de Vale do Zé do Ramos.
É um lugar onde o mar, a praia, as dunas, a vegetação rasteira e o pinhal se encontram, formando um autêntico e belíssimo quadro de paisagem selvagem.
A Nazaré é rica em paisagens virgens e naturais. Além da costa que se estende para sul até à Praia do Salgado, possui outra, que se estende para norte até à Falca. Esta última, menos frequentada por banhistas, convida os que gostam de espaços sossegados, de um ambiente solto e verdadeiramente natural. Mas, como em todo o lado, é preciso ver onde o perigo pode espreitar: a praia do Vale do Zé do Ramos não é vigiada, sendo o seu mar perigosíssimo: possui fundões a escassos metros da praia e as correntes são fortíssimas. Se não souber nadar muito bem, não se aventure!
O Vale do Zé do Ramos é um lugar a preservar tal como ele está, devido à sua natureza. Merece que seja dotado de uma escadaria em madeira que dê acesso à praia para que, assim, se evite, com a passagem dos visitantes, a destruição da sua encosta repleta de camarinheiras, bem como das suas dunas de areia fina. Este pequeno monumento natural, entre outros da zona, tem legitimidade, pela sua natureza sã e pela sua lenda, para se juntar às imagens de marca da Nazaré. Pois é, o Vale do Zé do Ramos é o lugar de uma lenda nazarena que remonta ao tempo das invasões francesas: A lenda do paramento em oiro. O seu conteúdo será divulgado no livro Lendas e Mitos da Nazaré que aguarda publicação.
(Direitos reservados - Armando Macatrão)
No interior da capela encontram-se duas sepulturas tapadas por lajes, sendo uma de uma senhora brasileira chamada Joaquina Abreu e outra de um ermitão que lá viveu no século XIX. A história destas duas personagens está registada no livro intituladoO Ermitão.
São dois os caminhos que levam ao cimo do Monte, indo a minha preferência para o caminho que se encontra no sopé, à esquerda, quando estamos virados para o monte. É um trajecto mais fresco e mais húmido, de terra batida que não possui escadas artificiais e segue sinuosamente por entre o arvoredo. Por esse lado podemos fazer paragens para apreciarmos pequenas grutas, rochedos cobertos de liquenes e plantas diversas.
As imensas árvores, as muitas plantas, os fungus (ali nascem cerca de vinte espécies de cogumelos), os esquilos, os répteis, os insectos, as cores, as formas dos rochedos e a paisagem que se avista do cimo do Monte são alguns dos motivos que nos podem levar a visitar aquele local.
Infelizmente, parte da sua vegetação encostada ao monte foi retirada quando se abriu um enorme caminho para a instalação de postes de fios eléctricos. O canto das suas aves, alternando com os momentos do seu precioso silêncio também são quebrados, diariamente, pela poluição sonora causada por viaturas que circulam numa estrada de asfalto, outrora construída para dar acesso a um aterro sanitário.
Actualmente, a Câmara Municipal da Nazaré tenciona avançar com uma proposta de classificação daquele lugar como Monumento Natural Nacional (ideia essa que foi aventada no prefácio do meu livro intitulado O Ermitão, em 2000). Mas, não deve ser somente o Monte em si que deve ser classificado: é necessário salvaguardar os talhões em redor do Monte para que não seja permitida a edificação de prédios ou de outras construções. É necessário retirar o asfalto da estrada que leva ao antigo aterro 'sanitário'. É necessário mandar desviar para outro local os postes de electricidade e restabelecer a vegetação erradicada. É necessário colocar um portão de entrada para toda a zona envolvente àquele Monumento Natural de modo a que ninguém lá vá serrar e buscar os troncos de madeira caídos, pois esses também contribuem para o enriquecimento da biodiversidade e poesia natural daquele lugar. Essa entrada deverá ter horário de abertura e de fecho.
Seria bom que a Câmara Municipal da Nazaré tomasse a iniciativa de mandar recolher, de forma regular, o lixo que é abandonado por gente que não respeita a natureza e, ali, o deita para o chão. Aliás a Câmara da Nazaré, até agora, tem sido o pior inimigo do Monte de São Brás porque permitiu que, bem perto dele, se construisse um lixeira a céu aberto (actualmente é um aterro 'sanitário' e está 'desactivado'). Esse aterro, durante muito e muitos anos, irá poluir com inúmeros venenos o solo e as águas na periferia da Nazaré. Leva-me sempre a pensar que há pessoas que ficam na história pelos erros que cometem. Outras ficam na História por nada fazerem para corrigir os erros dos incompetentes.
Espero, sinceramente, que, um dia, a Câmara da Nazaré venha a honrar e a respeitar integralmente este seu magnífico e raro santuário ecológico, mandando retirar os referidos postes e a dita estrada de asfalto, e reponha à sua volta o precioso e verde manto de biodiversidade destruída. Pois, o asfalto, os postes de electricidade e o ruído constante de viaturas jamais são compatíveis com a ideia de Monumento Natural Nacional.
(Direitos reservados - Armando Macatrão)