Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011
Buddha Eden - Jardim da Paz

   Na Quinta dos Loridos, no Carvalhal, perto do Bombarral encontra-se o Buddha Eden - Jardim da Paz com variadas esculturas em pedra, distribuídas pelos seus muitos recantos.
  O espaço foi idealizado e concebido pelo Comendador José Berardo em resposta à destruição das gigantescas estátuas do Buda, na província de Bamyan, no Afeganistão.
  O lugar é imponente, pois encontra-se pontuado por esculturas claras, muitas delas de grande dimensão, que contrastam com as cores do arvoredo envolvente. Às estátuas do Buda, de Leões, de Cavalos, de Dragões, de Aves, de pagodes gigantes e de lanternas de pedra, junta-se uma réplica, em tamanho natural, de guerreiros e de cavalos do exército, em terracota, do Imperador Qin Shi Huang Di (primeiro imperador da China).
   O Buddha Eden - Jardim da Paz foi concebido com um sentido de paisagem, de harmonia natural, de composição geométrica e de arte. Assim, surgiu um magnífico espaço, emulando um gigantesco jardim oriental onde não falta um quiosque chinês ligado à margem de um grande lago por uma pequena ponte.
  Quem tenciona visitar o jardim deve mentalizar-se que ali poderá percorrer muitos quilómetros a pé. Para quem tem problemas de locomoção, há comboios turísticos que passam pelos principais pontos atrativos do jardim.

Armando Sales Macatrão

18 Setembro 2011



publicado por Armando Macatrão às 14:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 5 de Junho de 2011
Eburobrittium em Óbidos

 

   Caio Plínio Segundo, conhecido como Plínio o Velho (para diferenciá-lo de um sobrinho seu com o mesmo nome, chamado de o Moço) é o autor de um vasto compêndio de ciências antigas intitulado Naturalis Historia (37 volumes).

  Plínio o Velho faleceu aquando a erupção do Vesúvio, em 79 d.C., por pretender observar o fenómeno vulcânico de perto.

 

   Nos seus escritos, Plínio referiu a existência, na Lusitânia, de uma cidade designada por Eburobrittium, entre Collipo (perto de Leiria) e Olissipo (Lisboa), mas não fez referência à sua localização exata.

   Bernardo de Brito, frade dos monges de Cister e autor da Monarquia Lusitana, situou a antiga cidade romana em Alfeizerão; o arqueólogo Eduíno Borges de Garcia situou-a em Amoreira de Óbidos. Outros autores apontaram a sua localização para outros locais.

 

   Em 1994, durante os trabalhos de construção da autoestrada designada por A8, foram postos a descoberto vestígios arqueológicos que levaram a trabalhos de escavação local. Tinha, assim, sido descoberta, por acaso, uma cidade romana a que alguns autores não tiveram dúvidas em afirmar que era a velha cidade de Eburobrittium e que se terá desenvolvido entre o final do século I a.C. e a segunda metade do século V d.C.

 Segundo outros autores, os elementos até agora encontrados no local não são suficientes para comprovar que aquelas ruínas pertencem à cidade mencionada.

 

   Os trabalhos de escavação tiveram a orientação do arqueólogo Beleza Moreira. Por uma vasta área, foram identificados o Fórum, as Termas entre outras estruturas romanas e medievais.

   A descoberta desta antiga cidade romana (Eburobrittium ou não) veio contribuir para valorizar de forma surpreendente o património arqueológico do Concelho de Óbidos. Teremos de esperar até que, um dia, a A8 seja desviada para outro local de modo a permitir que possamos usufruir de todo aquele precioso património arqueológico ali existente há mais de dois mil anos.

 

A.S.M.



publicado por Armando Macatrão às 02:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 6 de Março de 2011
A Ladeira da Enfesta e o Barão de Porto de Mós

   A estrada que serpenteia por entre do Monte de São Brás e o Monte do Meio, ligando a Pederneira com o Valados dos Frades , no Concelho da Nazaré, é conhecida por Ladeira da Enfesta. Ali, no dia 24 de Setembro de 1867, pelas dez da manhã, um bando de indivíduos mandou parar a carruagem (coche) onde seguia o Barão de Porto de Mós (Dr. Venâncio Pinto do Rego Ceia Trigueiros), assassinando-o de seguida com três disparos de armas de fogo.

   Os relatos desse crime bem como o paradeiro dos criminosos e a respectiva captura dos mesmos aparecem em jornais da época.

   O Barão de Porto de Mós saiu da sua Quinta da Cortiça (Ribeira da Azóia, perto de Leiria) no dia 1 de Setembro, chegando à Nazaré no dia seguinte. Segundo o escritor Ricardo Charters D’Azevedo, que publicou o livro intitulado A morte do Barão de Porto de Mós, o homem fora alvo de duas tentativas de assassinato na sua propriedade em Leiria e de outra no dia em que chegou à Nazaré. Nesta última tentativa falhada valeu ao barão ter chegado à zona da Nazaré antes dos assassinos o terem feito.

   O Barão de Porto de Mós permaneceu a banhos na Nazaré até ao fatídico dia 24 de Setembro, altura em que se dirigia para a sua casa na Quinta da Cortiça.

   Segundo o relato do cirurgião-médico, clínico de Alpiarça que se encontrava a banhos na Nazaré, e que foi publicado na edição de 28 de Setembro de 1867 do jornal O Leiriense na carruagem notava-se exteriormente e do lado esquerdo, rasgada a cortina de coiro, quebrado o vidro da lanterna, e chamuscado o sustentaculo d’ella. Um pouco acima do postigo esquerdo notava-se um buraco redondo, por elle saía uma pequena porção d’estopa. No angulo posterior esquerdo via-se outro buraco, com a madeira lascada, atravessada n’este orificio estava uma bala de bronze. A estes orificios correspondiam outros no lado interno do vehiculo. No interior d’elle via-se o cadaver do ex.mo barão, inclinado do lado esquerdo sobre o direito, posição que tomou logo que do lado direito lhe tiraram uma creada que o acompanhava, e sobre o corpo da qual o cadaver tinha ficado apoiado…

   O Barão de Porto de Mós é conhecido na Nazaré por Barão da Cortiçada. Foi homenageado com o nome de uma rua na Pederneira (Rua Barão da Cortiçada), encontrando-se o seu túmulo com brasão no cemitério da mesma localidade.

   A sua enorme fortuna rondava, na época, os 400 contos de réis. Possuía terras em Leiria, Pombal e Alentejo. Após uma tentativa de ataque à Quinta da Cortiça (meses antes do seu assassinato) fizera como seu único herdeiro o seu amigo Francisco Tavares d’Almeida Proença, tendo sido esse testamento lavrado em segredo.

   O barão tinha um cunhado que se chamava Felisberto Pinto do Rego. Esse indivíduo vivia em sua casa na Quinta da Cortiça e, segundo escreveu o autor Ricardo Charters d’Azevedo, começou a nutrir desejos de fazer assassinar o dito barão, com o fim de se apoderar de seus bens, evitando que ele fizesse testamento, ou assessorando-se deste se já existisse.

   Quem tudo quer, tudo perde é um velho ditado que se pode aplicar ao caso do assassinato do barão. A ganância cega do Felisberto Pinto Rego levou-o a engendrar planos de cobiça tal que acabaram por destruir todas as suas ambições; o tribunal condenou-o ao degredo, isto é, a trabalhos públicos perpétuos numa das colónias Portuguesas da África Ocidental. Aos que com ele colaboraram também conheceram a dureza dos anos passados em prisão, à excepção de um indivíduo chamado José Carvalho: o que baleou o barão com uma bala de bronze; desse indivíduo ninguém mais soube do seu paradeiro.

Armando Sales Macatrão

Nazaré, 6 Março 2011



publicado por Armando Macatrão às 22:48
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
Mar à Pinoca

Mar da Nazaré


Na Nazaré, à maior onda que o mar produz na sua baía tem o nome de 'Mar à Pinoca' (pi-nó-ca).

Nessa vila utilizam-se diariamente muitas expressões onde entra a palavra 'mar'. Uma dessas expressões é 'Mar à Pinoca'. Por exemplo, pode dizer-se 'Veio um Mar à Pinoca e partiu tudo!' ou 'Tá um mar à Pinoca' (quando o mar está muito bravo).

O António Gabriel Vigia, nascido na Nazaré a 11 de Fevereiro de 1886 e conhecido por Pinoca, certa vez, enquanto pescava no mar, apanhou tremenda tempestade que o fez abandonar a vida de pescador. Tornou-se boieiro e passou a dizer o seguinte: S’o mar até aqui na me matô, já na me mata (se o mar até aqui não me matou, já não me mata). Pois, no dia 5 de Fevereiro de 1951, pelas 12:55, enquanto passava com a sua parelha de bois pela Praça Dr. Manuel de Arriaga, uma gigantesca onda, após galgar o baixo e antigo Paredão, arrastou consigo uma barca que lhe foi esmagar o crânio contra a parede oeste da Farmácia dos Pescadores.

A barca, que vitimou o Pinoca, encontrava-se na Praça Dr. Manuel de Arriaga devido ao mau tempo; chamava-se Nossa Sr.ª  de Monserrate e pertencia a João Figueira Facada (João Casalinho).

Foi em 1912 que a referida praça, após a expropriação de vários edifícios que consequentemente levou à sua ampliação, deixou de se chamar Largo da Infância e passou a denominar-se Praça Dr. Manuel de Arriaga. Mais tarde esta praça também ficou conhecida por praça do peixe, em virtude de ali ter funcionado o mercado do peixe. As frutas e os legumes eram comprados na Praça Sousa Oliveira.

 

No dia 9 de Novembro de 2010, o mar da Nazaré esteve no auge da sua fúria com ondas próximo de nove metros de altura. A possibilidade de chegar até à avenida da marginal era tida como forte pela população local. Em alturas como essas, os donos das lojas sabem que têm de precaver-se contra uma possível investida do mar. Normalmente, colocam tábuas grossas, dispostas na horizontal e umas sobre as outras em frente de portas e de montras.

Um lojista chinês, que tem a sua loja na marginal da Praia da Nazaré, apesar de ter sido avisado para proteger o estabelecimento, não deu ouvidos a quem o avisou. A determinada altura, já com a maré a vazar, formou-se uma enorme onda na baía que até ofuscou a linha do horizonte para, seguidamente, varrer a praia com uma força invulgar.

Em terra, esse 'Mar à Pinoca' fez vários estragos em alguns estabelecimentos, inundou caves e arrastou automóveis. O local onde a onda fez mais estragos foi precisamente na área do lojista chinês (n.º 40 da Avenida da República). Ali, a onda partiu a montra do estabelecimento, inundou o espaço, provocando um caos no seu interior. 'Boa Sorte' é o nome da referida loja, mas naquele dia o mar prendou o empresário chinês com muitos estragos.

Armando Hilário, proprietário do Sr. Crepe, na Praia da Nazaré, ligou o acontecimento histórico inerente na expressão 'Mar à Pinoca' com o que aconteceu na loja do empresário chinês e criou uma nova expressão que já está a ser usada pelos locais; segundo ele, a  onda que fez estragos na loja do chinês não foi um 'Mar à Pinoca', mas sim um 'Mar à chinoca'.

Um 'Mar à chinoca' é, então, uma onda que faz estragos no interior das lojas que estão próximo da praia.

A Nazaré é a terra portuguesa detentora do maior número de expressões idiomáticas. A nova expressão 'Mar à chinoca' vem juntar-se às mais de 438 expressões registadas no livro 'Expressões da Nazaréth', do autor Armando Sales Macatrão.

 

(Direitos reservados, Armando Macatrão, 2010)



publicado por Armando Macatrão às 15:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010
Templo de São Gião

 

 

 

Templo de São Gião

A localização da Quinta de São Gião, lugar onde se encontra o Templo (Igreja) com o mesmo nome, escapa normalmente ao trajecto das pessoas que visitam Nazaré, visto que são poucas as referências existentes que apontam para aquele lugar. No entanto, também, se as houvesse não teriam grande utilidade, uma vez que o dito e precioso monumento foi ‘encaixotado’ treze séculos depois de ter sido construídopelos Visigodos que habitaram aquela região.O templo foi classificado Monumento Nacional por Decreto do Governo 1/86, de 3 de Janeiro e vários foram os objectos que têm sido encontrados nas escavações efectuadas no lugar: uma estátua de São Sebastião, uma Ara Romana anepígrafa (pedra de altar), um túmulo monolítico, um cipo funerário romano, uma lucerna Moçárabe, moedas desde o reinado de D. Sancho I (1201) entre outros objectos.

Algumas das referências antigas a respeito do templo são fornecidas por Frei Bernardo de Brito na sua publicação intitulada Monarchia Lusytana datada de 1597. Nessa obra o autor relata que o Reverendo Frey Frãcisco de Sancta Clara, Dom Abade Geral da Ordem (de Cister), o encarregou de averiguar as antiguidades do local. Outros frades, anteriormente a Bernardo de Brito, escreveram sobre o templo, dizendo que ficou despovoado de monges devido a uma peste.

Em 1961 o Dr. Eduíno Borges Garcia suspeitou que São Gião era um templo Visigótico, mas não teve apoio para prosseguir a uma investigação detalhada. Posteriormente, e ao longo de alguns anos, o mesmo investigador reuniu provas suficientes para comprovar a suspeita, identificando o templo como monumento visigótico.

O que faz da Igreja de São Gião uma raridade arquitectónica na Península Ibérica é o facto de possuir um anteparo de três aberturas localizado entre a nave e o cruzeiro que servia para separar os acessos às práticas religiosas entre monges e leigos.Se pudéssemos visitá-lo iríamos gostar de observar muitos dos elementos decorativos no seu interior: palmetas, rosetas quadrifoliadas, quadrifólios formados por losangos arqueados, Pentafólios inscritos em círculos, Cruzes com braços triangulares e iguais, fiadas de duplos losangos arqueados e inscritos em círculos e faixas rectangulares em espinha de peixe.

Muito há a fazer pela Quinta de São Gião; é mais um lugar que trará muito turismo à Nazaré. Para tal é necessário restaurar o pequeno templo cristão-visigodo dedicado a São Gião e que ali existe desde 656-665 d. C.; é preciso melhorar o acesso da Ponte da Barca até lá (mas sem asfalto) e é fundamental que haja um ambiente natural ao longo de todo esse percurso. Aliás, é um espaço ideal para se construir um jardim botânico com espécies de árvores e plantas costeiras de todo o mundo. Seria um legado sui géneris de valor incalculável que a Nazaré deixaria para as gerações que irão herdar o nosso mundo. Para haver turismo basta preservarmos e melhorarmos o que temos de diferente dos outros lugares __ nem sempre é necessário haver mais um campo de golfe ou construir mais uma contra-natura-selva-de-betão.

Armando Sales Macatrão

4 Novembro 2010



publicado por Armando Macatrão às 00:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 29 de Março de 2010
Pequena Terra na Quinta da Lezíria

 

Saindo do Valados dos Frades, em direcção a Alcobaça, antes de chegarmos à fábrica de loiça designada por SPAL, encontramos, na borda esquerda da estrada, uma placa onde está inscrito um nome __ Pequena Terra. Ao seguirmos o caminho que leva até esse lugar especial, passamos, primeiramente, por extensas hortas planas, que de certo modo, dão o mote visual daquilo com que nos vamos deparar: um espaço eco-pedagógico funcionando em harmonia com a natureza.

A Pequena Terra, localizada na Quinta da Lezíria, é de facto um espaço de diversão e de aprendizagem, promovendo, com especial atenção, a educação ambiental de forma pedagógica. As crianças adoram os seus programas diários: Jogos Ecológicos, Energias Alternativas, Nós e os Animais, Arte na Natureza, Aromas e sabores da Natureza, Agricultura Biológica, Os Incríveis Monges Agrónomos no Mosteiro de Alcobaça e Teatro de Fantoches Ecológicos da Pequena Terra.

A Pequena Terra ainda oferece a possibilidade de Refeições Biológicas, Férias na Quinta e a realização de eventos vários, mediante a marcação com a antecedência mínima de uma semana e para grupos com o mínimo de 10 pessoas. Se por ventura deseje apenas passar por lá depois do almoço e tomar um café ao ar livre, não deixe depois de ir observar as diferentes espécies de aves ornamentais e outros animais como cabras, ovelhas, burros, porcos pretos, nandus, gamos, além de diferentes raças de bovinos que a quinta possui no interior dos seus seis hectares de terra.

Espaços comos estes, com as diversas actividades eco-pedagógicas e de lazer são bem-vindos nos dias de hoje, uma vez que, até há pouco, o Homem não tinha olhado para o Planeta Terra como um todo, como uma complexa máquina biologicamente equilibrada e viva, e onde a centelha da vida (em qualquer vida) é, de facto, um verdadeiro milagre da Existência. É necessário ensinar os mais novos a respeitar e a preservar a Terra e a sua natureza em toda a sua extensão para que, no futuro, venham a corrigir o rumo daquilo a que erradamente alguns persistem em apelidar de ‘progresso’ ,ou seja, ao que não toma em linha de conta a importância vital da paisagem, da biodiversidade, das florestas, das praias, das planícies, dos solos, da água e do ar. A Pequena Terra faz passar, especialmente, para os mais pequenos, essa importante mensagem  proporcionando-lhes, ao mesmo tempo um dia de aprendizagem e de muito divertimento.

Direitos Reservados, Armando Sales Macatrão, 29 Março, 2010

Outubro a Março Abril a Setembro

2ª a 6ª : 10h00 - 17h00                                     2ª a 6ª : 10h00 - 19h00

Sáb/Dom/Feriados : 14h30 - 17h00                  Sáb/Dom/Feriados: 14h30 - 19h00



publicado por Armando Macatrão às 18:40
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
O Ascensor da Nazaré

  Há quatrocentos anos atrás, portanto, alguns séculos antes de vir a existir o Ascensor da Nazaré, os visitantes abastados que visitavam o Sítio podiam, descer até à praia através de uma ladeira de areia que se estendia no sentido Este-Oeste ao longo de uma parte do promontório. Naquele tempo a descida, pela dita ladeira, faziam-na as pessoas sentadas numa manta (alcatifa) que os seus criados arrastavam pelas pontas. Sem dúvida que esse método de descer do sítio até à praia deveria ser verdadeiramente empolgante. Mas, como só transportava as pessoas do Sítio para a Praia e nunca em sentido inverso, houve necessidade de resolver esse caso. Levou alguns séculos, mas resolveu-se quando alguém teve a ideia de construir o Ascensor.

   A ideia de se construir um ascensor na Nazaré parte de João Maria Cardoso Freire d'Andrade e Carlos Augusto d'Almeida, ambos residentes de Alcobaça. Esses dois indivíduos, por razões diversas, não conseguiram levar a cabo o seu projecto.
  Mais tarde, outros dois indivíduos avançam com a ideia de se construir um ascensor na Nazaré à semelhança do elevador da Glória, em Lisboa. Foram eles o Sr. Joaquim Carneiro Alcaçova de Sousa Chichorro e Francisco Moraes Affonso. Essas duas personagens associam-se, depois, à empresa do Barão de Kessler (engenheiro) e a António Lúcio Tavares Crespo*. Foi a parceria criada por esses quatro indivíduos que fundou o Ascensor da Nazaré. Na gare do Sítio, está uma placa, dizendo que foi o Dr. António Lúcio Tavares Crespo o fundador do Elevador da Nazaré. Ora isso é uma informação imprecisa e, como já foi dito, até nem foi o Dr. Lúcio Tavares Crespo que teve a ideia inicial que levou à construção do Elevador. Esse senhor foi, de facto, importante na construção do Elevador, mas não nos podemos esquecer que ele pertencia a uma sociedade constituída por quatro indivíduos.
   O Ascensor foi inaugurado no Domingo do dia 28 de Julho de 1889. Assistiram à cerimónia solene os ministros dos negócios estrangeiros e das obras públicas.
   Cada carro tinha capacidade para sessenta pessoas, era pintado de branco e não possuía janelas de vidro. A gare, no Sítio albergava a Sala das Máquinas que continha a caldeira que fornecia a energia necessária ao movimento dos carros. A caldeira era aquecida com lenha e, como na altura não havia fontes no Sítio, a água para a caldeira era levada da Praia pelos dois carros.
   Os preços durante a época balnear variavam consoante fosse época festiva ou não. Por exemplo, durante o dia 8 de Setembro (dia da inauguração das tradicionais festas de Nossa Senhora da Nazaré), um adulto pagava 100 réis pela subida e 60 réis pela descida. Noutras alturas, pagava 50 pela subida e 20 pela descida, ou, 60 réis ida e volta.
   Com o decorrer dos anos, o Elevador (assim é conhecido na Nazaré) tornou-se um meio cómodo de transportar pessoas e pequenas mercadorias.
   Dias após o seu funcionamento, os carros pararam na linha e os passageiros tiveram de se deslocar a pé aos seus destinos.
   Noutra altura, devido a um problema que surgiu na Casa das Máquinas fez com que os elevadores ficassem à mercê do seu peso. Como é óbvio, o elevador mais pesado começou a descer arrastando o outro no sentido inverso. Gerou-se o pânico. Algumas pessoas saltaram para fora dos elevadores. O condutor do carro que descia soltou os travões automáticos, causando uma paragem brusca dos dois elevadores evitando, assim, uma catástrofe. Houve passageiros que ficaram com contusões em diferentes partes do corpo.
      No dia 1 de Outubro de 1924 a Confraria de Nossa Senhora da Nazaré adquiriu o Ascensor por 99.000$00 (quantia que hoje equivale a 500 Euros).
   No dia 19 de Dezembro de 1932, coube à Câmara Municipal da Nazaré comprar o Ascensor pelo preço de 398.013$85. Ficou consignado, aquando da venda do Elevador, que a Câmara Municipal da Nazaré pagaria à confraria 10 centavos por que por cada bilhete que se vendesse, durante a Época Balnear (Agosto, Setembro e Outubro). Isso foi uma falha negocial por parte de quem vendeu o Elevador; haveria de ter negociado em termos percentuais e não em um valor fixo (dez centavos). Assim, a Confraria, não estaria a receber anualmente, por cada bilhete vendido, uma quantia irrisória.
   No dia 15 de Fevereiro de 1963 ocorreu o pior acidente na História do Ascensor. O cabo de aço, que ligava os dois elevadores, partiu. Ambos os carros, que se encontravam fazendo a carreira normal das 19:00, embateram com imensa força no interior da gare da Praia que os levou a ficar partidos em imensos pedaços. Parte da parede da Gare também caiu para o lado da rua onde estava situada uma pequena taberna. Das 32 pessoas que os carros transportavam, apenas houve duas mortes; uma delas foi causada pelo próprio passageiro (José da Silva Oliveira). Esse senhor saltou com o carro em andamento e embateu num dos postes que se encontravam ao lado e ao longo da linha.
   Actualmente, os novos elevadores têm bons dispositivos de segurança e é feita uma boa manutenção do seu funcionamento.
   Uma centena de anos após a sua inauguração, a linha entre a Praia e o Sítio já conheceu quatro carros diferentes.
   Lamento o facto de estes Elevadores modernos não terem sido, antes, desenhados ou moldados à semelhança dos originais, preservando a traça antiga. A Nazaré perdeu, assim, a oportunidade de preservar um belíssimo e singular traço do seu património antigo. Espero sinceramente que, no futuro, recupere esse traço perdido, com a vinda das carruagens que hão-de substituir as actuais. Também espero que uma futura Gare na Praia venha a fazer jus ao centro histórico a que pertence e se enquadre harmoniosamente nele.
 
   *O Dr. António Lúcio Tavares Crespo foi Bacharel em Direito, publicista, advogado, deputado às Cortes nas Legislativas de 1865 a 1868, 1887 a 1889 e 1890. Foi conservador do Registo Predial num dos bairros do Porto. Nascido em 1843, veio a falecer a 21 de Janeiro de 1905, em Lisboa. É autor do romance Cambiantes do Amor e Agravo Crime.
 
(Direitos reservados, Armando Macatrão)


publicado por Armando Macatrão às 12:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
A Biblioteca da Nazaré

   A Biblioteca da Nazaré, localizada na Rua Mousinho de Albuquerque n.º 51, ali pertinho da Praça Sousa Oliveira, foi fundada no dia 2 de Abril de 1939. Completou, portanto, no dia 2 de Abril de 2009, setenta anos de existência.
   Esta pequena instituição de solidariedade social no domínio da educação e da qual sou sócio há muitos anos, deve a sua existência aos que ainda dela cuidam com muito trabalho e carinho desde o tempo dos seus fundadores. Recorde-se que estamos a falar de um tempo em que não existia a televisão, poucos eram os que possuíam rádios e uma grande percentagem dos adultos não sabia ler nem escrever. Dos seus sócios fundadores destaco o médico José Maria Carvalho Júnior que foi director da Biblioteca durante mais de vinte anos e o escritor Branquinho da Fonseca, autor do romance que retrata uma época da história da Nazaré e que se intitula Mar Santo, livro esse que me foi oferecido, em 1985, pelo meu amigo e parente Joaquim José Sales Grilo.
   Ora, uma biblioteca contém, naturalmente, livros. Mas o conjunto de mais de quinze mil livros não é unicamente o que enche as prateleiras e armários da Biblioteca. Há o precioso espólio de José Pedro que é composto pelos jornais da Nazaré e que abarca o período entre 1899 e 1932. Desse espólio ainda fazem parte recortes de artigos sobre a Nazaré publicados em jornais nacionais. Estou a lembrar-me do Diário de Lisboa , d'O Século e d'A Época. E, na Biblioteca há revistas, fotografias, filmes e teses universitárias, entre outros documentos, tornando a biblioteca num importantíssimo arquivo histórico deste concelho.
   Muitas iniciativas culturais têm sido levadas a cabo pela Biblioteca da Nazaré. Tem promovido colóquios e debates, tem realizado exposições de pintura, tem publicado livros e promovido lançamentos de edições. Tem organizado passeios culturais de divulgação do património histórico e arquitectónico e tem organizado a Feira do Livro que tem lugar todos os anos pelo Verão.
 
   Recordo-me que o ano de 1991 ficou marcado por um incidente que enriqueceu pela negativa a história desta biblioteca. Nesse ano o presidente da câmara da Nazaré que se encontrava à frente do destino deste município, simplesmente, não autorizou que a EDP fizesse a ligação para o fornecimento da energia eléctrica no edifício onde se iria realizar a XVI Feira do Livro.
   Nesse ano de 1991, valeu a generosidade de um senhor chamado Mário Barroso que emprestou um gerador e alguns candeeiros a gás para que a Feira do Livro se realizasse numa casa enorme, conhecida por Lance Norte, e que é onde se encontra hoje a Caixa Geral de Depósitos. Nessa casa, durante a Feira do Livro realizaram-se duas exposições de fotografia, uma minha com motivos da Nazaré e outra do saudoso arquitecto António Manuel Cordeiro Lança sobre paisagens e rostos de Macau. Ainda houve uma exposição de pintura também de uma pessoa extraordinária chamada José Gandaio em que esse senhor fez o esforço de arranjar uma grande quantidade de velas para melhor se ver o conjunto dos seus quadros. Toda a equipa trabalhou bastante para que o evento cultural se realizasse. Muitos dos veraneantes já eram visitantes assíduos da Feira. Estou a falar de milhares de pessoas que contavam com esta feira para adquirir naquela altura um ou outro livro. A Feira abriu com uma semana de atraso, causando um enorme prejuízo tanto à Biblioteca como aos turistas que não puderam desfrutar plenamente da beleza exposta nas pinturas e nos quadros dos artistas que participaram naquele evento. Além disso a luz que iluminava os livros expostos nas bancas também era uma luz mortiça, dificultando a leitura dos títulos dos livros. Isto veio unicamente demonstrar que há políticos que são seres ocos e que o seu discurso é vazio quando se acham donos da cultura, donos do município, e quando pensam que são patrões de alguém. Mas a História não os perdoará por aquilo que fazem e toda a verdade, mais tarde ou mais cedo, aquela que ainda se encontra viva na memória das pessoas, acabará por se transformar num registo permanente nos arquivos históricos locais, quem sabe, esperando mesmo o momento para dar algum contributo no grande Dia do Juízo Final.
   Ultimamente, a aquisição de material informático e a elaboração de uma base de dados têm dado muito trabalho aos seus funcionários e colaboradores.
    A Biblioteca da Nazaré é um lugar pequeno e a sua alma está representada num vasto património documental, mas não só, porque há outra componente patrimonial elevadíssima a considerar e que é o conjunto dos seus quinhentos e tal sócios. Vá um destes dias até à Biblioteca da Nazaré. Não se esqueça que é aquela que se encontra na zona Histórica. Faça-se sócio e contribua para que se preserve o que é de todos nós __ que é a nossa História… e é também História dos nossos avós.
 
                                         Armando Sales Macatrão 


publicado por Armando Macatrão às 16:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Os Arcos da Memória

      Serra dos Candeeiros              Freguesia de Vidais              Leiria

 No cimo da Serra dos Candeeiros existe um arco de volta perfeita que foi construído pelos frades de Alcobaça para, no tempo deles, assinalar as divisões administrativas dos seus coutos. Segundo alguns autores, o arco data do século XVI e serviu como artimanha para os frades de Alcobaça aumentarem os limites das suas terras.
   Esse arco veio a ficar conhecido por Arco da Memória e está localizado no limite dos Concelhos de Alcobaça e Porto de Mós, mais precisamente, numa sub-área da freguesia do Arrimal chamada Memória. Quem pretender visitar o Arco deve fazê-lo a partir do Arrimal, visto o caminho se encontrar em melhor estado.
   Já visitei o arco várias vezes com pessoas amigas e nunca me canso de o visitar, talvez pelo que ele representa no imaginário colectivo dos locais. Mas também é verdade que a paisagem que aquele lugar nos oferece é verdadeiramente deslumbrante. Além disso, sentimos no ar o aroma fresco do tomilho que inevitavelmente vamos pisando, quando nos deslocamos para a zona do seu miradouro.
 
   O Arco tem 4 metros de altura, 3,62 metros de largura e tem 103 cm de espessura e está situado num pequeno largo de terra batida rodeado de mato e de arvoredo. O meu fascínio pelo arco advém, não só pelo facto de ter sido um marco territorial dos coutos de Alcobaça, mas também por estar associado a um imaginário que o liga com as conquistas de D. Afonso Henriques.
   Ora, segundo uma lenda, D. Afonso Henriques, quando ia a caminho da conquista de Santarém, em 1147, jurou, do alto da Serra de Albardos (Serra dos Candeeiros), que caso conseguisse expulsar os mouros das muralhas do castelo de Santarém, que doaria a Bernardo de Claraval, todos aos terrenos avistados na direcção do mar. Essas áreas foram, portanto, os dotes concedidos por Afonso Henriques a Bernardo de Claraval, abade pertencente à Ordem de Cister e vieram a tornar-se nos Coutos de Alcobaça. O lugar onde o rei fez esse juramento é onde, hoje, se encontra o Arco da Memória.
   Outra lenda reza que foi do lugar onde está o Arco da Memória que D. Afonso Henriques mandou atrelar um touro a uma enorme pedra. O animal, entregue a si mesmo, lá conseguiu arrastar a pedra para os lados onde se encontra hoje Alcobaça. E, no lugar onde o touro parou, mandou aí D. Afonso Henriques edificar a grandiosa Abadia.
 
   Um padre da freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Aljubarrota, na sua Memória Paroquial, de 1758, transcreve uma inscrição que podia ser lida no arco e que é a seguinte: "D. Afonso I, desse nome de Portugal, fez o voto como filho de Cristo, de doar à ordem de Cistercense de S. Bernardo, tudo quanto desse sítio descobrisse até ao mar, numa quinta-feira, a 27 de Setembro de 1147 da era do Senhor."
   Outra lenda, ainda, diz que D. Afonso Henriques, para indicar onde se havia de edificar o Mosteiro, lançou a sou lança com tal força que foi cair onde hoje se encontra pequena freguesia de Chiqueda; mas, aí, ao ver que o lugar não era próprio para edificar um mosteiro, lançou-a segunda vez, tendo a lança ido parar a um local que agradou ao Rei. Aí, então mandou construir a Real Abadia de Alcobaça ou A Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça. Não há dúvida que é uma maneira hiperbólica de aludir à força muscular do nosso primeiro rei.
  
   Em 1178, os monges de Cister iniciaram a construção do Mosteiro, tornando-o num dos mais poderosos da Ordem e ali permaneceram até ao ano de 1833.
   D. Afonso Henriques após expulsar os mouros teve o problema de as terras estarem desertas, arranjando várias soluções como, por exemplo, atribuindo a jurisdição de terras doadas aos monges de Cister que, por sua vez, atraíam povo para trabalhar nelas, pagando as taxas próprias da Idade Média. Funcionava tudo como um feudo, mas não com características rígidas do feudalismo doutros países europeus. Quem passasse para o lado das terras dos frades, ou seja, quem ultrapassasse os marcos dos coutos, por exemplo, dava direito de asilo a refugiados das justiças ordinárias e até a criminosos de delitos de vária ordem.
 
   Segundo alguns autores, no topo do Arco da Memória havia uma estátua, representando D. Afonso Henriques, ladeada por duas pirâmides. Mas, aí estarão a fazer confusão com outro arco, um pouco maior nas suas dimensões (cinco metros de altura, seis de largura e um metro de espessura) também chamado Arco da Memória e que fica situado numa povoação chamada Arco da Memória, pertencente à freguesia de Vidais, no Concelho de Caldas da Rainha.
   Os habitantes da freguesia de Vidais chamavam ao seu arco 'O Rei da Memória' porque a meio do cano do arco ostentava os seguintes dizeres: 'O Santo Rei D. Afonso Henriques, fundador de Alcobaça'. Também, se conta que D. Afonso Henriques, na sua campanha de conquista rumo a Santarém, vindo de Leiria, acampou naquele lugar que é hoje conhecido Arco da Memória. Ali, à noite, o rei, após ter subido a uma pequena colina e ter visto as luzes dos mouros nas muralhas escalabitanas, prometeu dar aos Monges de Cister todas as terras que avistava dali até ao mar, caso conseguisse expulsar os mouros do dito povoado. E assim foi cumprida a promessa, dando origem aos Coutos de Alcobaça.
   Também não nos podemos esquecer que a lenda diz que D. Afonso Henriques terá prometido mandar erguer um mosteiro em homenagem a Santa Maria, mãe de Jesus, nas terras prometidas a D. Bernardo de Claraval, caso ele conseguisse conquistar aos mouros a importante fortaleza de Santarém.
 
   No local da promessa feita pelo rei (ao cimo da Rua de Cister, da actual povoação designada por Arco da Memória) foi levantada uma estátua de D. Afonso Henriques. Mais tarde foi construído um arco (o Arco da Memória) e, no seu cimo aplanado foi colocada a estátua do nosso primeiro rei. Assim, o Arco da Memória permaneceu até aos dias em que a fúria Republicana, que não concordava com o regime monárquico, destruiu o monumento, no dia 12 de Janeiro de 1911. A destruição do Arco da Memória, encimado com estátua de D. Afonso Henriques, coincidiu com a construção da estrada municipal que liga a Benedita a Caldas da Rainha (via Alvorninha). Nessa altura, quase todas as pedras do monumento que se encontravam espalhadas encosta abaixo foram partidas pelos cantoneiros e utilizadas para a construção da estrada. Também há uma versão que diz que o Arco ruiu devido a um tremor de terra.
   A estátua de D. Afonso Henriques fora vandalizada e abandonada. Mais tarde, foi salva por um habitante local (Joaquim Martins) que a enterrou e participou o feito às autoridades das Caldas da Rainha. Esse morador foi, depois, instruído para transportar a estátua para as Caldas da Rainha. O homem, quando chegou a Caldas foi multado pela autoridade policial devido a ir sentado na estátua de Dom Afonso Henriques. Naquela altura, tal postura era considerada uma falta de respeito a um símbolo nacional. Diz-se que o homem pagou à polícia, pela multa, três vezes mais do que veio a receber do frete. Mais tarde, a estátua foi levada para a cidade de Leiria pelo Engº Afonso Zuquete que naquele tempo dirigia as obras de solidificação do castelo daquela cidade. Actualmente, a estátua está situada no mirante da Avenida Ernesto Korrodi, no sopé do monte onde assenta o Castelo de Leiria.
 
   No dia 28 de Junho de 1981, foi inaugurada a reconstrução do Arco com o contributo da população e de várias entidades públicas e privadas. Desde essa altura que tem havido um grande esforço para que a estátua do rei D. Afonso Henriques volte a ocupar o seu lugar, no cimo do novo Arco da Memória, na Freguesia de Vidais.
 
   O Arco da Memória, sito na Serra dos Candeeiros é, por todos os efeitos um património construído. Serve para indicar até onde vão os terrenos pertencentes à freguesia dos Moleanos. Antigamente, serviu como marco assinalando a entrada de quem vinha fazer os seus negócios ou de quem vinha à procura de refúgio nas terras dos frades de Alcobaça. Provavelmente, terá sido mandado erguer naquele sítio pelo Frei Bernardo de Brito. Actualmente está associado a lendas que aludem à promessa de construção do Mosteiro de Alcobaça, enriquecendo, assim, o património do imaginário colectivo local.
   A réplica do Arco da Memória, em Casais da Memória, freguesia de Vidais, tem o mesmo efeito no imaginário do povo local: leva-o a ouvir falar de lendas e de sérios registos históricos relativos ao seu passado. Mas, além de ser o lugar que assinalava os territórios dos frades de Alcobaça, de ser o sítio onde os republicanos mostraram o seu desagrado para com os símbolos da monarquia portuguesa, de ser o ponto que transporta os habitantes locais para o mundo das lendas e para o mundo dos factos históricos, marca ainda a legítima vontade de um povo querer ter junto a si o património que lhe pertence e com o qual ele fortemente se identifica.
   Não é por acaso que o elo que estabelece a ligação de um povo com o seu passado histórico, essa consciência que, também, o impele para preservar e restaurar o que é seu, __ o seu valioso património __ é fundamental para que não ande à deriva, para que conheça bem as suas origens e para que saiba dar um rumo às suas aspirações e, isso, já é, sem dúvida alguma, uma forma de grande felicidade.
 
Armando Macatrão,
Nazaré, 5 Junho 2009
 
Este artigo saiu publicado no
Jornal da Caldas, no dia 24 de Junho de 2009 

 



publicado por Armando Macatrão às 18:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008
Praça Sousa Oliveira

  

A construção de naus, na praia da Nazaré, cessou por volta de 1800. O edifício que guardava os utensílios e ferramentas destinadas à construção das referidas embarcações passou a servir de depósito de madeiras vindas do Pinhal de Leiria. Esse edifício encontrava-se no areal da Praia, no interior de um grande quintal cercado por muros de pedra. O depósito de madeiras passou, depois, para o Rossio da vila que passou a ser conhecido de Largo da Madeira. As Madeiras que continuaram a vir do Pinhal de Leiria eram ali armazenadas, transformadas e, só depois, seguiam para Lisboa. Assim foi até 1820, altura em que as madeiras do Pinhal de Leiria, passaram a ir directamente para São Martinho do Porto.

   O Largo da Madeira, mais tarde, ficou conhecido pelo nome de Praça do Comércio; era ali que se realizava o mercado de fruta, legumes, etc. Aquele espaço foi, posteriormente, mandado empedrar por um presidente de Alcobaça que se chamava Souza Oliveira (o concelho da Nazaré era, nessa altura, gerido pela Câmara de Alcobaça).

   Em reconhecimento pelo feito, uns indivíduos da Nazaré fizeram um abaixo-assinado e entregaram-no na Câmara de Alcobaça para que a Praça do Comércio passasse a ter o nome de Praça Souza Oliveira.

   Vários foram, portanto, os nomes que aquele local já conheceu. É caso para dizer-se: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Ao olharmos para fotografias, pinturas e postais antigos da Praça ficamos a saber que alguns dos seus prédios mais antigos deram lugar a edifícios que não se enquadram no seu conjunto arquitectónico, desrespeitando, por assim dizer, o Centro Histórico em que a Praça está inserida. Ficamos a saber, também, que a abóbada alta de um poço (o Poço Público da Praia) e o seu bonito Coreto de madeira foram erradicados dos lugares onde se encontravam; foram dois elementos de arquitectura local que se perderam e que tanta falta fazem para ocupar aquele turista que gosta de visitar, fotografar e estudar o passado dos locais com interesse histórico.

   É costume dizer-se que a Praça Sousa Oliveira, ou Esplanada (é assim que os nazarenos, actualmente, gostam de apelidá-la)é a sala de visitas da Nazaré. Que se mantenha assim: inalterável __ no que resta das fachadas de alguns prédios antigos, no que resta da belíssima vista que tem do Sítio e no que resta da paisagem que tem do céu e do mar.

(Direitos reservados - Armando Macatrão).



publicado por Armando Macatrão às 18:08
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
Vale do Zé do Ramos

   No pinhal pertencente à Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, mais precisamente entre o Sítio da Nazaré e o Vale Fundo, existe um pequeno vale conhecido pelo nome de Vale do Zé do Ramos.

   É um lugar onde o mar, a praia, as dunas, a vegetação rasteira e o pinhal se encontram, formando um autêntico e belíssimo quadro de paisagem selvagem.

   A Nazaré é rica em paisagens virgens e naturais. Além da costa que se estende para sul até à Praia do Salgado, possui outra, que se estende para norte até à Falca. Esta última, menos frequentada por banhistas, convida os que gostam de espaços sossegados, de um ambiente solto e verdadeiramente natural. Mas, como em todo o lado, é preciso ver onde o perigo pode espreitar: a praia do Vale do Zé do Ramos não é vigiada, sendo o seu mar perigosíssimo: possui fundões a escassos metros da praia e as correntes são fortíssimas. Se não souber nadar muito bem, não se aventure!

   O Vale do Zé do Ramos é um lugar a preservar tal como ele está, devido à sua natureza. Merece que seja dotado de uma escadaria em madeira que dê acesso à praia para que, assim, se evite, com a passagem dos visitantes, a destruição da sua encosta repleta de camarinheiras, bem como das suas dunas de areia fina. Este pequeno monumento natural, entre outros da zona, tem legitimidade, pela sua natureza sã e pela sua lenda, para se juntar às imagens de marca da Nazaré. Pois é, o Vale do Zé do Ramos é o lugar de uma lenda nazarena que remonta ao tempo das invasões francesas: A lenda do paramento em oiro. O seu conteúdo será divulgado no livro Lendas e Mitos da Nazaré que aguarda publicação.

 

(Direitos reservados - Armando Macatrão)



publicado por Armando Macatrão às 23:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 10 de Agosto de 2008
O Monte de São Brás

No interior da capela encontram-se duas sepulturas tapadas por lajes, sendo uma de uma senhora brasileira chamada Joaquina Abreu e outra de um ermitão que lá viveu no século XIX. A história destas duas personagens está registada no livro intituladoO Ermitão.

São dois os caminhos que levam ao cimo do Monte, indo a minha preferência para o caminho que se encontra no sopé, à esquerda, quando estamos virados para o monte. É um trajecto mais fresco e mais húmido, de terra batida que não possui escadas artificiais e segue sinuosamente por entre o arvoredo. Por esse lado podemos fazer paragens para apreciarmos pequenas grutas, rochedos cobertos de liquenes e plantas diversas.

As imensas árvores, as muitas plantas, os fungus (ali nascem cerca de vinte espécies de cogumelos), os esquilos, os répteis, os insectos, as cores, as formas dos rochedos e a paisagem que se avista do cimo do Monte são alguns dos motivos que nos podem levar a visitar aquele local.

Infelizmente, parte da sua vegetação encostada ao monte foi retirada quando se abriu um enorme caminho para a instalação de postes de fios eléctricos. O canto das suas aves, alternando com os momentos do seu precioso silêncio também são quebrados, diariamente, pela poluição sonora causada por viaturas que circulam numa estrada de asfalto, outrora construída para dar acesso a um aterro sanitário.

Actualmente, a Câmara Municipal da Nazaré tenciona avançar com uma proposta de classificação daquele lugar como Monumento Natural Nacional (ideia essa que foi aventada no prefácio do meu livro intitulado O Ermitão, em 2000). Mas, não deve ser somente o Monte em si que deve ser classificado: é necessário salvaguardar os talhões em redor do Monte para que não seja permitida a edificação de prédios ou de outras construções. É necessário retirar o asfalto da estrada que leva ao antigo aterro 'sanitário'. É necessário mandar desviar para outro local os postes de electricidade e restabelecer a vegetação erradicada. É necessário colocar um portão de entrada para toda a zona envolvente àquele Monumento Natural de modo a que ninguém lá vá serrar e buscar os troncos de madeira caídos, pois esses também contribuem para o enriquecimento da biodiversidade e poesia natural daquele lugar. Essa entrada deverá ter horário de abertura e de fecho.

Seria bom que a Câmara Municipal da Nazaré tomasse a iniciativa de mandar recolher, de forma regular, o lixo que é abandonado por gente que não respeita a natureza e, ali, o deita para o chão. Aliás a Câmara da Nazaré, até agora, tem sido o pior inimigo do Monte de São Brás porque permitiu que, bem perto dele, se construisse um lixeira a céu aberto (actualmente é um aterro 'sanitário' e está 'desactivado'). Esse aterro, durante muito e muitos anos, irá poluir com inúmeros venenos o solo e as águas na periferia da Nazaré. Leva-me sempre a pensar que há pessoas que ficam na história pelos erros que cometem. Outras ficam na História por nada fazerem para corrigir os erros dos incompetentes.

Espero, sinceramente, que, um dia, a Câmara da Nazaré venha a honrar e a respeitar integralmente este seu magnífico e raro santuário ecológico, mandando retirar os referidos postes e a dita estrada de asfalto, e reponha à sua volta o precioso e verde manto de biodiversidade destruída. Pois, o asfalto, os postes de electricidade e o ruído constante de viaturas jamais são compatíveis com a ideia de Monumento Natural Nacional.

(Direitos reservados - Armando Macatrão)



publicado por Armando Macatrão às 23:34
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Contacto

macatrao@portugalmail.com

Perfil do Autor
Visitantes
Posts Recentes

Buddha Eden - Jardim da P...

Eburobrittium em Óbidos

A Ladeira da Enfesta e o ...

Mar à Pinoca

Templo de São Gião

Pequena Terra na Quinta d...

O Ascensor da Nazaré

A Biblioteca da Nazaré

Os Arcos da Memória

Praça Sousa Oliveira

Vale do Zé do Ramos

O Monte de São Brás

todas as tags